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Avaliação: Volkswagen Amarok 2021 aposta tudo no V6 (mas potência não é tudo)

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      Volkswagen Amarok

      A Volkswagen Amarok 2021 chegou apostando tudo no motor V6 para voltar a se destacar no mercado. Afinal, quando a picape chegou ao Brasil, há dez anos, fez muito barulho, mas depois a concorrência se renovou e ela perdeu boa parte da vantagem. 

      Quando chegou, a Amarok agradou por vários motivos. Primeiro, porque tinha cabine, dirigibilidade e conforto acima da média da época – bem mais parecidos com os de um carro de passeio (em um salto parecido com o que a Hilux havia dado em 2005) do que as picapes sobre chassi da época.

      Segundo, porque a Amarok chegou apostando em um downsizing que era inédito na categoria. Enquanto as rivais tinham motores a diesel 3.0 ou maiores, a picape da Volks chegou com um 2.0 biturbo que prometia menos consumo com melhor desempenho.

      Em 2012, a picape média ainda foi a primeira a adotar um câmbio automático de oito marchas e também a primeira a ter tração integral – 4×4 full-time, enquanto as concorrentes só podiam usar o 4×4 na terra (a vantagem da Volks estava na segurança, mas cobrava no consumo).

      O TEMPO É IMPLACÁVEL (E A LEI TAMBÉM)

      O tempo passou, e as rivais também evoluíram e ganharam em qualidade de cabine e dirigibilidade, enquanto a Amarok pouco se renovou. Além disso, o motor biturbo é mais complicado de mexer para os mecânicos nos confins do Brasil, e algumas características não deram muito certo nas condições de uso brasileiras. Outra crítica era contra a falta de reduzida na versão automática (a primeira seria tão reduzida que valeria como reduzida, mas sabemos que, quando a coisa pega, não é bem assim).

      Mas o que pegou mesmo foi a lei: o motor 2.0 biturbo foi peça central do escândalo do Dieselgate. Para entregar o que entregava, emitia muitos poluentes – a não ser no ciclo de testes de emissão, quando um software alterava o funcionamento, fraudando os resultados.

      E VEIO O V6

      Como resultado, de 2013 a 2016 as vendas da Amarok caíram mais de 60%. No começo de 2018, veio o motor V6 de 225 cv – e uma só turbina – que lhe rendeu o título de picape mais potente do país e fez suas vendas dobrarem naquele ano (e se manterem altas em 2019). Ela também foi eleita Compra do Ano 2019 pela MOTOR SHOW.

      No entanto, uma nova safra de picapes, renovadas visual e mecanicamente, chegou em 2019/2020 – as novas Ford Ranger, Chevrolet S10 e Mitsubishi L200, além da também nova Hilux, que está chegando agora (assim com a maior e mais potente RAM 1500, mas que pode ser considerada de segmento superior).

      A Volkswagen Amarok 2021 é uma reação a elas, enquanto não chega a nova geração (que está sendo desenvolvida junto com a Ford Ranger, em uma parceria entre as marcas, e deve chegar só em 2022/2023). Para afastar de vez o fantasma do Dieselgate e os demais problemas do 2.0, a marca limitou o antigo 2.0 a versões para uso de trabalho, para compradores “PJ”. No site para o consumidor comum, Amarok, agora, só V6.

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      SÓ VANTAGENS

      Volkswagen Amarok 2021, só V6, e ainda ficou mais potente: a cavalaria foi a 258 cv – chegando a 272 em determinadas situações, e o torque, a 59,1 kgfm (3 a mais). Ou seja, as duas versões mais caras da despejam 33 cv extras, chegando a 47 cv a mais com a função overboost. Ela está disponível entre 50 km/h e 120 km/h, ela é ideal para ultrapassagens; depois de utilizada, volta a estar disponível após cerca de cinco segundos de intervalo. 

      Com a mecânica atualizada, a picape acelera de 0-100 em 7,4 segundos (antes, eram 8 segundos). A velocidade máxima continua limitada a 190 km/h. Os preços não são baixos, mas as rivais também andaram subindo de valor. São R$ 243.290 na Highline e R$ 256.390 na versão Extreme – indo a R$ 258.370 com o pacote Black Style da unidade avaliada (as duas últimas com rodas 20, pouco indicadas pra conforto e  off-road). Enquanto isso, a Chevrolet S10 High Country, topo de linha, custa R$ 223.090 com motor quatro cilindros 2.8 turbodiesel de 200 cv e 51 kgfm (0-100 em 10s1 – leia aqui a avaliação).

      Outra vantagem da Volkswagen Amarok 2021 trazer o V6 no lugar 2.0 é que, apesar dos ganhos no desempenho e na confiabilidade, na prática, durante nossos testes, marquei os mesmos 10 km/l de média de consumo rodoviário que na antiga Amarok Highline/Dark Label 2.0. Vale notar que o número é inferior aos 12 km/l de modelos como S10 e Hilux – culpa não só da maior potência, mas principalmente da tração integral.

      Ah, vale notar que o PBEV/Inmetro marcar quase o mesmo consumo para a 2.0 e para a 3.0 (8,4 km/l para as duas na estrada, e 8,2 e 8,0 na cidade, respectivamente). Eu marquei os mesmo 10 km/l de média andando “na boa” nas estradas de terra, apesar de andar mais lento e com mais acelerações/desacelerações. Dirigindo de um modo mais “arrojado”, a média na terra caiu para ainda bons 7,5 km/l.

      AINDA ÚNICA

      Além do motor V6 a diesel, algumas características desta Volkswagen Amarok 2021 ainda são únicas, ou raras, no segmento. A tração 4×4 full-time, por exemplo: a Mitsubishi L200 também tem um modo para andar “traçado” no asfalto, para caso de chuvas ou outras situações onde se busca mais aderência. 

      E a Volkswagen Amarok 2021 ainda é a única picape  média 4×4 que não tem a reduzida – e bloqueio do diferencial, só traseiro. Mas isso está mais para desvantagem do que para vantagem, principalmente para quem encara situações off-road de verdade.

      Não que a Amarok não seja capaz no off-road: nas situações que enfrentamos, se mostrou muito capaz. E a ajuda eletrônica é muito bem-vinda. Um botão ativa o modo “off-road”, quando, entre outras coisas, a picape ativa automaticamente o assistente de descidas se  preciso: sentindo o deslizamento, basta soltar freio e acelerador que ela controla cada roda individualmente, garantindo total controle.

      POTÊNCIA NÃO É TUDO

      Como eu disse antes, a Amarok já foi referência no segmento, mas o tempo passou e ela ficou ou igual ou para trás das rivais. Talvez em nível de ruído ainda seja melhor, mas, andando com a caçamba vazia ou com pouca carga, ela ainda “pula” bem, principalmente sua traseira – diria que algumas rivais, como a S10, já a superam nesse ponto.

      Já na cabine e nos equipamentos, de fato ficou para trás: enquanto suas rivais melhoraram no acabamento e ganhar sistemas semiautônomos e de conectividade, além de itens de conforto e de conveniência, a Volkswagen Amarok 2021 manteve mais ou menos o mesmo pacote. 

      Não é pobre: tem ar-condicionado digital de duas zonas, bancos dianteiros elétricos (e que bancos bons!), câmera de ré, faróis bixênon com luz de condução diurna (DRL) em LED, faróis de neblina com luz de conversão estática, monitor de pressão dos pneus, retrovisor eletrocrômico, sensores de chuva e crepuscular, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro e aletas para trocas de marcha no volante, entre outros…

      Mas, em relação às concorrentes, fica devendo ACC, alerta de colisão, chave presencial, seis airbags e mais… e o espaço traseiro não é mais dos maiores. Além disso, tanto o design externo quanto o interno já estão meio “cansados”. O sistema multimídia, por exemplo, tem ótimo funcionamento, mas uma tela demasiadamente pequena para os padrões atuais (principalmente em um carro de R$ 250 mil).

      Alguns dirão que são supérfluos em uma picape, mas o fato é que o consumidor dessas picapes, principalmente nas versões topo de linha, parece gostar de supérfluos – por uma questão até de ostentação no mundo milionário do agrobusiness, que tem comprado picapes caras a baciada – daí o lançamento da despropositada RAM 1500, de R$ 420 mil, como motor a gasolina de 400 cv e capacidade de levar só uns 600 kg.

      Outra prova desse uso mais “recreativo” é que, a exemplo da S10 High Country, o santantônio de plástico pintado não é funcional para quem usa a caçamba de verdade. Ele estraga com facilidade se você amarrar carga ali (outra crítica vai à cobertura da caçamba, que deixou entrar muita água, molhando minha bagagem).

      Então, no fim das contas, para quem coloca desempenho acima de tudo, é inegável a vantagem da Amarok  V6 sobre as concorrentes com preços próximos. Já para quem busca os mais recentes e modernos itens de conforto/conectividade e segurança/direção autônoma, ou uma condução mais econômica, a picape da Volks fica em desvantagem.


      FICHA TÉCNICA
      VOLKSWAGEN AMAROK 2021 (V6)

      Preço básico: R$ 243.290
      Carro avaliado: R$ 252.270
      Emissão de CO2: 246 g/km
      Com etanol: não é flex
      Nota do Inmetro: E (Picape)

      Volkswagen Amarok Extreme/Black Style V6

      Motor: 6 cilindros em V 3.0, 24V, turbodiesel
      Cilindrada: 2967 cm3
      Combustível: diesel
      Potência: 258 cv de 3.250 a 4.000 rpm
      Torque: 59,1 kgfm de 1.400 a 3.000 rpm
      Câmbio: automático sequencial, oito marchas
      Direção: hidráulica
      Suspensão: braços sobrepostos (d) e eixo rígido com molas semi-elípticas (t)
      Freios: disco ventilado (d/t)
      Tração: integral (4MOTION) com bloqueios eletrônico do diferencial traseiro
      Dimensões: 5,254 m (c), 1,944 m (l), 1,834 m (a)
      Entre-eixos: 3,097 m
      Pneus: 255/50 R20
      Caçamba: 1.280 litros/1.156 kg
      Tanque: 80 litros
      Peso: 2.134 kg
      0-100 km/h: 7s4
      Velocidade máxima: 190 km/h
      Consumo cidade: 8 km/l
      Consumo estrada: 8,4 km/l
      Nota do Inmetro: E
      Classificação na categoria: E (Picape)

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